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 Terça-feira, Agosto 09, 2005

Quantas vezes já sentimos a sensação de alivio por viver no Brasil após
assistirmos noticias de atentados terroristas ou da Guerra do Iraque? ¿Ufa!
Ainda bem que no nosso país não tem isso, aumenta o volume amor que está
começando a novela!¿
Acreditamos viver no país da maravilhas junto com a Alice, essa é a verdade.Um
belo romance que nem sempre possui o clássico final, porque o caminho natural
para o ¿felizes para sempre¿ acaba sendo suspenso por uma arma sendo apontada
para nossa cabeça no semáforo da vida real.
Talvez seja somente nessas situações extremas que nos damos conta que estamos em
guerra e não em um conto de fadas. Num conflito que não distingui
inimigos,uniformes e nem razões claras.
Segundo relatório da Unesco o Brasil é campeão mundial em homicídios por armas
de fogo e o índice registrado no país nos últimos 10 anos superou o número de
vítimas de 26 conflitos armados no mundo, entre eles a Guerra do Golfo e a
disputa territorial entre Israel e Palestina. Nesse período, morreram no Brasil
325.551 pessoas por armas de fogo, uma média de 32.555 mortes por ano.
Uma das alternativas para reduzir esses números é criar dificuldades para se
comprar uma arma de fogo.Algo que pode se concretizar com a aprovação do
Estatuto do Desarmamento que está parado esperando um aval da sociedade pois em
outubro teremos a oportunidade de dar nossa opinião sobre ele.
Mesmo com todos esses dados muitas pessoas são contra o desarmamento da
sociedade e curiosamente são donos ou estão ligados as fabricas de armas. Para
eles não importa se as pessoas estão se matando desde que o dinheiro continue
entrando em suas contas bancárias.
De uma coisa eu tenho certeza, nossa bala no tambor e nosso dedo no gatilho é a
capacidade de enxergar que por trás da mira existe um ser humano que luta
apenas para ser feliz. Essa é a única arma que vale a pena ser usada.
Click!Clack! Booom... Acertei!

ás 4:25 PM

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 Quarta-feira, Julho 20, 2005

Brasil, o país do intervalo comercial.
O cliente trajando um belíssimo terno Armani cruza a porta rotatória (que não trava e nem sequer detecta o celular) é recebido pelo gerente do banco, exibindo um sorriso de orgulhar qualquer dentista, que o convida para sentar num trono real para que em segundos seus problemas de crédito sejam resolvidos. Com os melhores juros do mercado, é claro!
São 30 segundos de deslumbramento: Não há filas e nem falta de disposição. Aliás,o que não falta é beleza, todos clientes e funcionários são lindos e bem arrumados.O serviço? Impecável! Divino!
Agora crianças correm alegremente pelo pátio da escola. Todas de banho tomado, cabelo penteado, uniformes, cadernos encapados e ansiosas para aprender. A professora de lindo sorriso recebe a todas com um beijo na testa antes do inicio da aula. Na merenda se deliciam com a refeição balanceada que é servida no novíssimo refeitório. Alimentadas, já podem sentar na frente do computador para as aulas de informática. É educação de qualidade para todos no país de todos!
Já devem estar pensando que eu pirei ou que seja sócio do Marcos Valério.Cruz credo!Os fatos descritos acima são comerciais que qualquer brasileiro vê todos os dias nos intervalos de seus programas de TV favoritos.
Na sociedade em que vivemos, somos bombardeados a todo momento com a mensagem: Compre, consuma, gaste, adquira, acumule, seja feliz, acabe com seus problemas, beba, compare, emagreça.... ahhhhhhhhhhhh!
É de deixar louco mesmo. Na TV dois terços do que é anunciado só pode ser consumido por menos de dez por cento da população brasileira. Ou seja, noventa por cento vêem na tela produtos e serviços que nunca terão oportunidade de consumir. Frustrante não?
Agora se existe algo que é comum em todas propagandas, independente se são direcionadas ao publico A, B ou C é que todas apresentam um mundo que não existe.Ou que só existe nos nossos mais lindos sonhos.
Eu mesmo nunca fui a um banco sem filas, não freqüentei escolas publicas brasileiras de primeiro mundo, não faturei mulheres siliconadas por consumir determinada cerveja e nunca vi alguém emagrecer comendo de tudo e sem sacrifícios.
Só consigo chegar a uma reflexão: A vida não seria mais fácil se fosse um comercial?
Já estava esquecendo! Essa opinião é um oferecimento de:
Telesado Celular, sempre as melhores tarifas!


ás 6:41 PM

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 Sexta-feira, Julho 08, 2005


"Pelos poderes de Gray Skull (lê-se "greiscol") eu tenho a força!"
Essa era a frase de um dos meus super heróis favoritos, o He-man, que era exibido no programa da Xuxa para todos os baixinhos durante a semana.Após dessa frase ele se transformava de um pacato príncipe para um guerreiro invencível que após algumas poucas dificuldades sempre aniquilava o vilão chamado Esqueleto.Talvez muitas pessoas se lembrem dele, até porque os anos 80 estão na moda agora
Mas estranho mesmo é que esse tipo de frase nunca saiu da moda, apesar das muitas variações, todos desejam o ¿poder¿ e a ¿força¿. E essas duas palavras são chaves para entendermos o mundo que habitamos hoje.
Vemos no Brasil os escândalos criados por aqueles que se deslumbram com o poder, que usam a força que foi creditada pelo povo para ganhar mais dinheiro e com dinheiro ter mais poder. É uma espécie de ciclo vicioso.
No restante do mundo as engrenagens se movimentam da mesma maneira com governantes que priorizam a guerra em detrimento de políticas de ajudas aos países menos favorecidos.
Vemos em tempo real os líderes dos países mais poderosos do mundo com duvidas se ajudam a África ou invadem outro país islâmico. Não sabem se salvam o mundo ou se compram uma bicicleta. Preferem salvar a economia do que a camada de ozônio.
O poder cega os melhores atributos humanos, impede a visão da realidade, encanta os sentidos dos poucos que o possuem, transforma o homem numa espécie de Deus que coloca suas vontades acima do bem e do mal.
A grande verdade é que o homem precisa substituir em seu vocabulário as palavras poder e força por partilha. Que a maior arma contra o terrorismo é uma rosa vermelha numa mão estendida para aqueles que necessitam.Que o combate a corrupção é esquecermos do nosso umbigo e ver que o buraco é mais embaixo e fica no estomago daqueles que tem fome.
Que a fronteira que nos separa de um mundo melhor não é a do México mas a da consciência de que o amor é o poder ilimitado. Que com ele somos mais fortes que os heróis dos desenhos animados, até mesmo que o He-man! Eu tenho a forçaaaaaaaa!!!

ás 4:25 PM

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 Terça-feira, Julho 05, 2005

Dá medo de ter simpatia por politico hoje no Brasil, mas vou arriscar dizer que gosto do Fernando Gabeira e da Heloisa Helena. Ambos eram do PT e foram expulsos por acreditar que o governo não estava cumprindo as promessas de mudanças no país. Segue então a entrevista do Gabeira na Veja, e nos links o site dele com vários artigos muito bons.

"O PT acabou"

Ícone da esquerda brasileira, o deputado
diz que o PT é "igual aos outros partidos"
e que o presidente Lula está deslumbrado
com o poder

Thaís Oyama

Na lista da sucessão de erros que diz ter cometido ao longo da vida, o deputado e escritor Fernando Gabeira (PV) acrescentou, recentemente, mais um: o apoio ao governo Lula, que ele hoje define como "uma farsa". O ex-guerrilheiro do MR-8, que participou do seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick em 1969, afirma que Lula "traiu" a nação e que o autoritarismo intrínseco do PT, partido ao qual ele próprio pertenceu até 2003, está na raiz da sua derrocada - que ele considera consumada. O ícone da esquerda brasileira, que já quis morrer pela revolução e se libertar pelo desejo, hoje diz que crê apenas na eficácia e na nobreza das pequenas ações. Aos 64 anos, pai de duas filhas - uma, surfista profissional, outra, estudante de psicologia -, o deputado já não vai de bicicleta ao Congresso, trocou-a por uma moto. O existencialismo que o inspirou na juventude ainda se revela no formato do atual casamento: à moda de Sartre, é cada um na sua. Na semana passada, ele deu a seguinte entrevista a VEJA.

Veja - O senhor escreveu, em artigo recente, que a chegada de Lula à Presidência foi uma crueldade histórica. O que isso significa?

Fernando Gabeira - Quando Lula foi candidato pela primeira vez, o Muro de Berlim havia caído e a etapa mundial que nós vivíamos já era a etapa do fracasso completo do socialismo. O que eu quis dizer foi que a eleição de Lula representou, simbolicamente e pela via eleitoral, a chegada de um operário ao poder, mas em um momento em que isso já não significava muito mais. Era um sonho retardatário. Nós chegamos a ele atrasados em relação à situação mundial. Na verdade, se tivéssemos tido um pouco mais de percepção, veríamos que, em vez do roteiro de Marx - da chegada do operário ao poder -, nós estávamos assistindo à chegada da classe operária ao paraíso. Porque o que aconteceu foi isso: Lula, ao chegar ao poder, ficou deslumbrado com ele.

Veja - Em que momentos o senhor percebe esse deslumbramento?

Gabeira - Em muitos momentos. A chegada ao governo significa uma ascensão social, pelo menos nessa circunstância. Você passa a desfrutar de bens materiais superiores aos que desfrutava antes. E quando você chega ao governo no bojo de um grande movimento social, muito admirado e cortejado, isso contribui para que você, de certa maneira, perca o rumo. E aí você vai ver as pirâmides, tirar foto ao lado das pirâmides, comprar um avião... Isso tudo aconteceu com Lula e, no seu caso, houve ainda a agravante de ele não ser uma pessoa inquieta, do ponto de vista intelectual.

Veja - Essa inquietação poderia ter contribuído para amenizar o deslumbramento a que o senhor se refere?

Gabeira - Sim, porque a chegada ao poder, com todos os atrativos que ele oferece, é sempre um questionamento da sua sabedoria. E também um desafio à capacidade de saber olhar os seus projetos e se manter fiel a eles. E nem o PT nem Lula souberam responder a isso. Diante da necessidade de abandonar um programa que talvez não estivesse totalmente ajustado à realidade, eles optaram simplesmente por jogar esse programa para o ar - sem substituí-lo. Não foi à toa que, durante a campanha eleitoral, poucos de nós, intelectuais que apoiamos Lula, se submeteram àquele mico no programa de televisão, de andar de um lado para o outro com uma pasta debaixo do braço, dando a impressão de que todos os problemas do Brasil estavam equacionados e que, quando chegássemos ao governo, resolveríamos tudo.

Veja - O senhor se recusou a participar da gravação desse programa?

Gabeira - Eu não fui convidado. Mas quando eles fizeram o programa final, com o Lula já eleito no primeiro turno, nós fomos chamados a São Paulo para gravar. Era um programa de auditório, e nós tínhamos de levantar as mãos, todos juntos, e balançá-las para o alto. Eu fiquei perplexo com aquilo, não fiz. O Lula até reclamou: "Poxa, Gabeira, você tá dormindo?". Claro que eu não estava dormindo, eu estava achando aquilo ridículo. Éramos participantes de um projeto político que, no último momento, havia sido sintetizado em um programa de auditório. Parecíamos chacretes.

Veja - Foi nesse momento que o senhor achou que o trem começava a sair dos trilhos?

Gabeira - O momento em que eu acho que o trem começa a sair dos trilhos é quando o Lula decide, nessa última campanha, que vai ganhar - e que, para ganhar, é preciso ter dinheiro e um excelente programa de televisão. São premissas aparentemente sensatas. Mas, ao descobrir o imenso potencial do veículo e da linguagem publicitária, ele passou a superestimar o trabalho de marketing em detrimento do movimento social que o apoiava. E isso marcou o princípio do governo: a agenda dele passou a ser uma agenda de foto-oportunidade, para usar uma expressão dos ingleses. O presidente recebia misses, por exemplo, enquanto o Cristovam Buarque, durante o tempo em que foi ministro, esteve com ele apenas uma vez. O ministro da Educação! Lula saiu da história para entrar no marketing.

Veja - O senhor participou da montagem do governo. Houve um momento, portanto, em que acreditou nele.

Gabeira - Eu acreditei pelo seguinte: nunca houve tanto entusiasmo popular em torno de uma candidatura. Nunca tantas pessoas competentes e interessantes se juntaram para ajudar uma candidatura. Então, eu achava que nós tínhamos um capital humano suficiente para realizar um processo de transformação importante para o Brasil. Só que o que houve foi uma traição.

Veja - A quem?

Gabeira - Às pessoas que acreditaram nele. Eu andei mais de 1 000 quilômetros com o Lula. Vi a esperança nos olhos das quebradeiras de coco do Maranhão, das plantadoras de cebola de Santa Catarina... Era visível a esperança delas, era visível que acreditavam na gente: "Essas pessoas são ligadas a nós, vão mudar a nossa vida". Vi mães chorando quando a caravana passava, mulheres levantando os seus bebês para que vissem o palanque... Era um capital de esperança muito grande. E parece que eles não se importaram muito com isso. Eles não tinham um projeto de Brasil, não tinham um projeto de nação - tinham um projeto de poder. E perderam o contato com a realidade. Prova disso é que, no auge dessa crise, José Dirceu disse àquele grupo de escritores espanhóis com que se encontrou em Madri que o projeto do PT era ficar doze anos no poder.

Veja - Qual o futuro da sigla, na sua opinião, diante dessa crise?

Gabeira - O PT tem um grave erro de origem. Ele opta pelo centralismo democrático, que foi um instrumento criado por Lenin, no princípio do século XX, para organizar trabalhadores fabris na luta contra o Exército do czar. Ora, nós já estamos no princípio do século XXI e o PT continua fazendo coisas em nome desse centralismo, como a expulsão da senadora Heloísa Helena. Isso é uma coisa ridícula, já não existe mais. Na Inglaterra, 240 deputados do Partido Trabalhista votaram contra a guerra no Iraque e continuam lá, ninguém vai expulsá-los. O PT foi construído de uma forma autoritária, e essa construção autoritária é que permitiu o deslocamento da camarilha que está hoje no Palácio do Planalto e que designa os caminhos do partido.

Veja - Do ponto de vista histórico, então, o PT estaria condenado. E do ponto de vista ideológico?

Gabeira - Desse ponto de vista, ele não existe mais. Acabou, foi para o espaço. A população já descobriu que o PT é igual aos outros que ele denunciava.

Veja - Em que momento isso aconteceu?

Gabeira - Quando ele achou que poderia abrir mão da bandeira ética que mantinha quando estava na oposição. Eles adotaram a tática da visita da velha senhora, a peça do Dürrenmatt (dramaturgo suíço Friedrich Dürrenmatt). Ele mostra uma prostituta que sai da cidade e volta rica. Aí, diz: "O mundo fez de mim uma prostituta e eu vou fazer desse mundo um bordel". Eles tiveram de conseguir dinheiro, tiveram de entrar no jogo e tiveram de comprar a sua base, já que não podiam buscá-la no PMDB nem no PSDB.

Veja - Em que medida essa saída fisiológica não seria também responsabilidade do sistema político brasileiro, em que o Executivo não tem maioria garantida no Congresso e precisa ficar o tempo todo tentando seduzi-lo para conseguir governar?

Gabeira - Acho que a culpa dessa estrutura é parcial. Porque, se você considerar a centro-esquerda brasileira, como o PT e o PSDB, existe uma base numérica para você dirigir o país. O problema é que, como os dois não vão jamais se entender, estão ambos condenados ao fisiologismo - ou, como diz o Fernando Henrique, condenados a ser a vanguarda do atraso. O que nos leva a uma situação em que, em 2006, restará só perguntar de quem será a vez de pedir a CPI - e de quem será a vez de abafá-la. Nós poderíamos superar essa etapa da história brasileira criando uma frente política que fosse não tão rigidamente ideológica, como eles querem, mas uma frente política dos homens e mulheres de bem. Havendo essa demarcação ética, o governo conseguiria isolar progressivamente os fisiológicos. O processo do PT foi justamente o contrário: ele fortaleceu o fisiologismo e colocou na presidência da Câmara, por meio dos seus erros, um homem que está em contradição com o Brasil moderno, que é o Severino Cavalcanti.

Veja - O ministro José Dirceu esteve presente em vários momentos importantes da sua vida. Foi um dos presos libertados por seu grupo em troca do embaixador americano seqüestrado, esteve exilado em Cuba na mesma época em que o senhor e teve peso fundamental na sua saída do PT. Qual a relação que vocês têm hoje?

Gabeira - Não há relação. Ele jamais gostou de mim. Em 1989, fui escolhido pela convenção do PT candidato a vice de Lula na eleição contra Collor e ele ficou muito zangado com isso. Aliás, foi um bombardeio geral. Chegaram a dizer - não ele, pessoalmente, mas aliados e pessoas do próprio PT - que eu não era viril o suficiente para representar a classe operária. Excelente isso, não?

Veja - A que se deveria isso, na sua opinião?

Gabeira - Acho que o temor dele é que as pessoas ocupem o seu espaço, que ameacem aquele trono que ele construiu tão duramente, através de tantas reuniões e tanto café frio. Imagine uma pessoa que coleciona sessenta grupos de trabalho! Eu digo que ele é o Tio Patinhas dos grupos de trabalho, que a piscina dele está cheia de relatórios e ele não deixa ninguém chegar perto. Como se dissesse: "Quem vai cuidar do imobilismo aqui sou eu". Mas, de maneira geral, acho que o PT não convive bem com uma personalidade. No sentido de que toda a estrutura do pensamento da esquerda clássico está voltada para fazer com que o conjunto se imponha sobre o indivíduo. Eles são anteriores à fase em que os indivíduos já deram um passo adiante, buscando a autenticidade como referência. Convivem mal com essa idéia.

Veja - Houve um momento em que o senhor acreditou na luta de classes como saída para a transformação da sociedade. Em outro momento, defendeu a política do corpo e, mais recentemente, viveu a experiência de ser, por dez meses, governo. Foram três decepções?

Gabeira - Eu acho que, realmente, na escolha do socialismo houve um erro meu no sentido de não compreender o momento histórico. Contribuiu para isso o fato de estarmos na ditadura militar e essa ditadura militar ser, em si, um símbolo do atraso. Então, você é facilmente levado à ilusão de que, sendo contra ela, você está na frente, quando a verdade é que você está na frente de um projeto em declínio. Quando entendi isso, com a visão do marxismo sendo superada na minha cabeça, não havia mais uma explicação da história, que era uma espécie de substituição da religião. Aí, eu tive de me voltar para dentro de mim para buscar onde estava a referência. Nisso, me vi com a política do corpo, que eu reconheço que foi absorvida pelo sistema. Passou a ser uma grande indústria, como, aliás, ocorre com todos os grandes movimentos. O elemento mais recente nessa sucessão de fracassos foi esse envolvimento com um governo que ia transformar o país e que resultou nessa farsa que vemos agora.

Veja - Diante desses três fracassos, o que restou das suas convicções?

Gabeira - A decisão de me apoiar em alguns princípios de atuação: a democracia - como uma visão estratégica, e não mais como os comunistas a viam, uma tática para chegar ao poder -, a defesa dos direitos humanos, da consciência ecológica e, finalmente, da justiça social. E caminhando por aí eu acho que posso fazer alguma coisa. Não é mais uma grande revolução, com o esplendor daqueles tempos, mas é um pouco parecido com aquela história do Salinger, de O Apanhador no Campo de Centeio: quando eu era jovem, eu queria morrer pela revolução. Agora, quero viver para transformar um pouco as coisas. Sem grandiosidade, sem melodrama. Com pequenas ações, apenas.

Veja - O senhor se separou recentemente. Voltou a se casar?

Gabeira - Eu tenho uma companheira, mas vivo na minha casa, com minha filha.

Veja - É um casamento à la Sartre, então?

Gabeira - O que me fascinou no existencialismo, em Sartre e Simone de Beauvoir, inicialmente, foi justamente a maneira como eles lidavam com essa questão da afetividade. Mas, hoje, não diria mais "a monogamia ou a liberdade", por exemplo. Diria que, se você está bem com uma pessoa, ótimo. Se não está, acho razoável que tente ficar bem com mais de uma.

Veja - O ministro Gilberto Gil declarou que parou de fumar maconha aos 50 anos. O senhor também parou?

Gabeira - Ah, mas eu não fiz 50 anos ainda! O Gil é mais velho, eu sou muito jovem...

ás 11:17 AM

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 Quarta-feira, Junho 22, 2005

Pedalada Brasil!!!
No Brasil acontece um fenômeno muito interessante. Não se engane, esse não é mais um texto falando do Ronaldo Fenômeno e suas aventuras amorosas ou de suas jogadas geniais cada vez mais escassas, mas sobre Política.
Nós brasileiros,no que tange a Política, somos ótimos conhecedores de novelas e futebol, pois somos assumidamente uma nação desinteressada pelo o que acontece nos bastidores do poder que nos governa.
Se bem que do jeito que a vida anda para a maioria da população, todos esses assuntos tendem inconscientemente a se misturar se tornando uma confusão de idéias que dá espaço para todos tipos de conclusões.
Veja bem, quem de fato sabia quem era esse tal de Roberto Jefferson até as denuncias bombásticas do tão falado ¿Mensalão¿? Para a maioria ele poderia ser mais um dos personagens de América ou até mesmo o novo jogador escalado por Parreira para enfim dar mais segurança a nossa defesa.
A grande verdade é que acabamos conhecendo nossos representantes democraticamente eleitos através dos escândalos divulgados pela mídia televisiva. E talvez esteja aí a justificativa para não termos real interesse no que acontece em Brasília, em São Paulo e até mesmo na nossa cidade. Pois no futebol sabemos bem qual é a formação do nosso time, nossos adversários e na TV já sabemos de antemão que os vilões morrerão e os mocinhos viverão felizes para sempre no final.
O problema é que nossa vida não é um jogo disputado com uma bola e nem sequer uma obra de ficção. Trata-se de um jogo de sobrevivência e uma história verídica que é escrita com cada segundo da nossa existência.
Por isso no campo da Política nós é que somos os torcedores e quando o time não ganha devemos cobrar os resultados positivos, vaiar juntos e quem sabe até invadir o campo.
Nas cenas dos próximos capítulos da Política nós é que somos os autores da trama.
Depende de nós escolhermos quais cenas queremos para nossa vida. Pergunto:Qual você quer para a sua?
Basta a nós mergulharmos profundamente sobre os fatos apresentados pelos meios de comunicação e questioná-los criticamente, porque conforme se aproxima as eleições presidenciais muitas outras denúncias surgirão. Mas acima de tudo,devemos torcer para que nosso time da Política não perca de goleada para o adversário da corrupção como vem acontecendo freqüentemente. Pedalada Brasil!!!

ás 8:56 AM

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 Terça-feira, Maio 31, 2005

Fui eu quem escreveu seu horóscopo
Os planetas querem sua morte
A quem me dera se eu estivesse sóbrio
Daria a você toda minha sorte

Seu futuro está escrito nas linhas
Da sua mão colada a minha
E o seu passado é um lamento
Por nunca chegar a hora, o momento.

Sou eu quem pode mudar seu destino
Basta a minha vontade e não a divina
Posso por ou tirar a pedra do caminho
Posso até atirá-la e sangrar uma virgem menina

ás 11:25 AM

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 Sexta-feira, Abril 29, 2005


Vivemos num país sem justiça.
Essa é uma afirmação que de maneira nenhuma pode ser contestada. Tudo o que podemos fazer é somente analisar os fatos e nos envergonhar por uma justiça que pune os pobres e favorece os ricos. Aliás, não é nenhuma novidade pois a história apenas se repete como num ciclo diabólico desde o descobrimento.
Com base na comparação de duas noticias vastamente divulgadas na imprensa podemos ver como temos dois pesos e duas medidas para a condenação de crimes com base na classe social dos seus praticantes.
A primeira fala sobre o dono da Unimar que roubou mais de R$50.000.000,00 referentes a sonegação de imposto e no dia seguinte já estava a bordo de seu jato particular a destino de algum lugar mais "tranqüilo".
A segunda fala de uma doméstica que tentou roubar um shampoo e está presa há mais de onze meses. Para complicar ainda mais ela foi agredida por outras presas sofrendo queimaduras de segundo grau pelo corpo além de perder a visão de um olho.
Isso me leva a conclusão de que roubar um shampoo, que custa no máximo dez reais, é muito pior do que roubar cinqüenta milhões de reais. E que o crime às vezes compensa... principalmente se você estiver pensando em aumentar sua fortuna

ás 3:03 PM

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 Quarta-feira, Abril 27, 2005

40 anos da TV GLOBO.

A Globo completou quarenta anos de vida nessa semana.
Ela é a terceira maior rede de tv do mundo, perdendo apenas para duas americanas, mas nenhuma no mundo se compara ao seu grau de influência devido ao número de telespectadores.
Para conhecer sua verdadeira história vale a pena assistir ao documentário "Muito além do cidadão Kane" produzido por Simon Hartog para o canal quatro da BBC de Londres. O detalhe é que ele foi proibido de ser exibido no Brasil por uma decisão judicial.
Mas porque impediram os brasileiros de assisti-lo?
Para ter a resposta a essa pergunta faça o download do documentário aqui
gratuitamente e tire suas próprias conclusões.

ás 10:29 AM

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 Segunda-feira, Abril 25, 2005

Dos males, o menor
Relatório censurado pela OMS afirma que a maconha é menos prejudicial do que o tabaco e o álcool


CARLA GULLO E PETER MOON

Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra, pediu em 1992 aos médicos do seu Programa de Abuso de Substâncias (PSA) que elaborassem o mais completo relatório sobre o consumo e os efeitos médicos e psicológicos da maconha. O objetivo era produzir a palavra final sobre o assunto. Para escrevê-lo, encomendaram relatórios a 50 especialistas de todo o mundo, entre eles farmacologistas, psiquiatras, químicos, pneumologistas e cardiologistas. Um documento deveria fazer um raio x completo da planta Cannabis sativa, o cânhamo, estabelecendo até o último detalhe tudo o que a ciência conhece sobre sua composição química e seu principal princípio ativo, o THC (tetrahidrocanabinol), responsável pela sensação de prazer dos consumidores. Foi feito um minucioso levantamento para cada aspecto dos efeitos da droga sobre o organismo: sua influência sobre o batimento cardíaco e o fluxo sanguíneo, o modo como afeta os pulmões e as vias respiratórias, os sintomas mais agudos experimentados pelos usuários e os efeitos psicológicos decorrentes do uso prolongado. Um dos relatórios, escrito pelos médicos canadenses Robin Room e Susan Bondy, do Instituto de Pesquisa do Vício, de Toronto, estabeleceu comparações entre o consumo de maconha com o do álcool, do tabaco e da heroína. O trabalho ficou pronto em 1995, tinha 15 capítulos e circulou pelas mãos de 50 autoridades da OMS, de diversas agências das Nações Unidas e do Instituto Nacional de Abuso de Drogas (Nida) dos Estados Unidos. Da leitura desses especialistas vieram sugestões para a condensação dos capítulos num relatório final, tarefa que coube aos cinco membros do Programa de Abuso de Substâncias ¿ entre eles, a médica paulista Maristela Monteiro, 37 anos. Em dezembro do ano passado, a OMS finalmente editou seu mais amplo estudo sobre a maconha. É um livro de 49 páginas, intitulado Cannabis: uma perspectiva de saúde e agenda de pesquisas.
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Na quarta-feira 18, no entanto, a revista científica britânica NewScientist estampou em sua reportagem de capa a informação de que o capítulo que comparava os efeitos da maconha aos do álcool, tabaco e heroína foi suprimido pela OMS. Segundo a publicação, a decisão de retirar o estudo comparativo havia sido feita por pressão do governo americano e de dirigentes do Programa Internacional de Controle de Drogas da ONU. O motivo: o trabalho informava que fumar maconha causa muito menos mal à saúde do que o cigarro ou o álcool. Temia-se que esse argumento servisse de munição às organizações que defendem a descriminação da droga. Billy Martin, da Faculdade de Medicina da Virgínia e um dos 50 especialistas envolvidos no trabalho, disse à revista inglesa que os dirigentes da OMS "ficaram malucos" ao ler a pesquisa comparativa entre maconha, álcool e cigarro.

Em nota oficial divulgada na quinta-feira 19, a OMS repudia a reportagem e afirma que a exclusão do texto nada teve a ver com pressão política. "A alegação da NewScientist não tem base nenhuma", afirmou a doutora Maristela Monteiro a ISTOÉ, de seu escritório em Genebra. "Não estamos segurando informação. Não houve pressão dos americanos. O texto não levava a nada, era tendencioso e ia embolar o meio de campo." Os originais, de 41 páginas, dos médicos canadenses Room e Bondy chamavam-se Uma avaliação comparativa das consequências psicológicas e de saúde da cannabis, do álcool, da nicotina e dos opiáceos. Eles acreditavam que seu trabalho seria condensado e incluído no livro da OMS, mas não foram sequer avisados da supressão. "Ninguém me comunicou nada quando resolveram tirar a nossa contribuição", disse Robin Room a ISTOÉ de seu escritório em Toronto. Formada pela Escola Paulista de Medicina com doutorado em Psicofarmacologia, Maristela está há quatro anos na OMS. Ela assegura que as conclusões dos canadenses foram excluídas a partir de uma decisão científica e forneceu a ISTOÉ dois trechos do material cortado para exemplificar o que diz. Na página 21, lê-se que, "baseado nos padrões existentes de consumo, a cannabis impõe muito menos problemas sérios de saúde pública do que os impostos pelo álcool e pelo tabaco nas sociedades ocidentais". O problema, para Maristela, é que mais adiante eles ignoram esta diferença entre os poucos consumidores de maconha e os muitos fumantes e generalizam sua conclusão. Os autores afirmam "existir boas razões para dizer ser improvável que o uso rivalize com os riscos de saúde pública impostos pelo álcool e pelo tabaco, mesmo se tantas pessoas usassem cannabis quanto as que hoje bebem álcool e fumam tabaco." Esta imprecisão ajudou a OMS a desconsiderar as conclusões da dupla.
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"Não há contradições nem ausência de base científica em nosso trabalho como alega Maristela Monteiro. Tanto que em julho o Instituto de Pesquisa do Vício e a OMS vão publicar o mesmo trabalho concluindo que a cannabis provoca danos muito menores do que o cigarro ou a bebida", rebate Room. Mas, além de uma discussão sobre a maconha e os programas de saúde pública, o que efetivamente existe no estudo dos canadenses? Uma das polêmicas conclusões, por exemplo, afirma que, nas sociedades mais desenvolvidas, a maconha parece ter pouca influência no aumento da violência, ao contrário do álcool. Também assegura que, apesar das evidências de que o uso de maconha durante a gravidez acarrete perda de peso nos recém-nascidos, os dados à disposição estão muito longe de ser conclusivos. A cannabis saiu-se melhor que o álcool e o cigarro em cinco dos sete testes comparativos de danos a longo prazo à saúde. O relatório diz que o consumo pesado de fumo, maconha e bebida pode levar à dependência, mas que somente o álcool causa a chamada síndrome de abstinência. E enquanto o consumo frequente de bebida alcoólica leva à cirrose, severos danos cerebrais e um grande aumento dos riscos de acidente e suicídio, o texto conclui que são fracas as provas de que o uso crônico de maconha produza alterações no raciocínio, na memória e na capacidade de aprendizado. "Baseado em que se pode comparar o fumo de um cigarro de maconha com o consumo de um drinque? Não existe evidência nenhuma para isso", contesta Maristela. Segundo ela, o trabalho censurado chegava a afirmar que o viciado em heroína pode morrer de overdose, mas que a maconha nunca matou ninguém. "É dizer o óbvio. Gostaria de saber o que é uma overdose de maconha?"
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Para quem acompanha o debate, esta seria a segunda vez que a OMS manipula esse tipo de informação. "Em 1997, esconderam a conclusão de que não há relação entre o consumo de maconha e o câncer", acusa o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ). "Se isso não for esclarecido, vai ficar exposta à contradição: como uma substância que é menos nociva que o álcool e o tabaco pode ter um tratamento jurídico mais rigoroso?" Oded Grajew, presidente da Fundação Abrinq para os Direitos da Criança concorda com Gabeira. "Nesse estudo ninguém está dizendo que a maconha faz bem, mas que faz menos mal que os outros", diz. "O que importa é que a bebida e o cigarro têm empresas constituídas, são aceitas porque fazem prevalecer seus interesses, ditam as regras."
Antes da publicação da OMS, o principal e mais longo estudo sobre a droga era do pneumologista Donald Tashkin, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, que nos últimos 15 anos acompanhou 130 usuários, comparando-os com grupos de pessoas que só fumam tabaco, fumam tabaco e maconha ou nenhum dos dois. Seus resultados parecem confirmar o estudo da OMS. A primeira constatação de sua pesquisa é de que tanto o cigarro quanto a maconha provocam danos semelhantes nas células do aparelho respiratório. Enquanto tabagistas fumam 20 ou mais cigarros ao dia, dificilmente um usuário de maconha fuma mais de quatro baseados no mesmo período. Apesar disso, tossem e pigarreiam tanto quanto os tabagistas. Nos dois grupos, um em cada cinco usuários tem bronquite. A razão é que os baseados não têm filtro e seus usuários tragam muito mais profundamente, mantendo a fumaça nos pulmões por um tempo até quatro vezes mais longo que os tabagistas. "Isso resulta num acúmulo 40% maior de alcatrão nos alvéolos pulmonares", diz o médico americano.
Tashkin fez uma descoberta intrigante. Apesar de provocar danos às células, a maconha não afeta a capacidade respiratória nem provoca enfisema, mesmo entre os mais compulsivos usuários. A prática clínica endossa os estudos que apontam a droga como um mal menor. O sanitarista Fábio Mesquita, membro do Conselho Estadual de Entorpecentes do Estado de São Paulo, afirma que os efeitos nocivos da cannabis são inferiores aos das drogas legais. "O cigarro é responsável por problemas como câncer de pulmão, de garganta, de boca, acidentes vasculares e infarto", afirma Mesquita. "Os problemas que a maconha causa são poucos. Um deles é indireto. A falta de percepção do tempo e do espaço pode eventualmente causar acidente de carro." A NewScientist relata, por exemplo, que a polícia inglesa constatou que um de cada dez motoristas responsáveis por acidentes de trânsito havia testado positivo em relação à maconha. O problema é que a maioria também havia bebido e em nenhum momento é possível garantir que o fato de o teste ser positivo implique dizer que o motorista estava sob efeito da droga. Isso pelo fato de o teste identificar traços de maconha mesmo muito tempo depois de o efeito dela ter passado.
No Brasil, Mesquita e um grupo de especialistas estão tentando colocar a maconha novamente na lista de drogas legais. Ela tornou-se ilegal a partir de 1938 e a todo momento cria-se uma polêmica em torno de sua descriminação. "A maconha não pode mais ser vista como um demônio. A verdade é que todas as drogas podem fazer mal. Tudo depende de como e quanto se usa", conclui Mesquita. Algumas pessoas, a despeito do que se imagina, podem até se tornar dependentes da maconha. "Muita gente usa e não fica dependente. Mas alguns pacientes têm até que ser internados para se livrar da droga", conta o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, do Grupo de Estudos de Álcool e Drogas do Hospital das Clínicas de São Paulo. Foi o caso do estudante Marcelo Mendes, 22 anos. "Comecei a fumar aos 19 anos. Não trabalhava nem estudava e tinha o tempo todo para a droga", conta ele. Essa disponibilidade o levou a consumir vários cigarros por dia, o que acentuou sua apatia e o ajudou a ficar longe dos estudos. "Eu tinha tanto THC no corpo que nem barato eu sentia mais." Para piorar a situação, Marcelo foi pego pela polícia com 25 gramas de maconha no bolso. Fichado, ele finalmente pediu ajuda aos pais, que resolveram interná-lo. "Fiquei três semanas lá. Eu era o único na clínica dependente de maconha. Mas estava precisando", diz. Marcelo está há um mês sem fumar e retomou os estudos. Como ele, muitos usuários da cannabis se tornam apáticos, o que para alguns médicos é um dos pontos críticos da droga. "Ela tira o tesão pela vida. Quem fuma muito fica sem motivação para nada. É o efeito Scarlett O¿Hara, de ¿E o vento levou. Fica tudo para amanhã", compara o psiquiatra mineiro Arnaldo Madruga, especialista no tratamento de dependentes químicos.
O uso crônico da droga pode, em princípio, causar outros tipos de problemas. As folhas da maconha contêm uma cera que possui substâncias irritantes e cancerígenas (como acontece com o tabaco). "Usada em excesso, a planta causaria câncer de pulmão. Mas não há provas disso", diz o psicofarmacologista Elisaldo Carlini, membro do Painel de Perícia da OMS. Outro efeito da cannabis: ela altera as taxas do hormônio testosterona e provoca uma diminuição no número de espermatozóides. "O homem se torna infértil, mas o problema se reverte com a suspensão da droga", afirma Carlini. Por fim, a maconha interfere na memória de curto prazo. O usuário tem dificuldades em fixar informações novas e recentes.
Apesar de os danos para a saúde não serem tão gritantes, a maconha costuma ser malvista pela sociedade por se acreditar que seria o primeiro degrau na escalada para drogas mais pesadas, como o crack e a cocaína. Muitos especialistas, entretanto, não estão de acordo com essa teoria. "A experiência é um fator individual. A primeira droga que se experimenta não tem nada a ver com aquela que eventualmente a pessoa vai usar", afirma Carlini. Um estudo liderado pelos psiquiatras Dartiu Xavier da Silveira e Eliseu Labigalini, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo, mostrou que muitas vezes a maconha pode ajudar a fazer o caminho contrário. Ou seja, ser um meio para sair da dependência de drogas pesadas. "Começamos a observar pacientes que conseguiam ficar abstêmios de crack e cocaína quando passavam a fumar maconha. Isso diminuía consideravelmente as recaídas, muito comuns no dependente químico", conta Silveira. Os psiquiatras passaram a estudar 20 pacientes e comprovaram a tese: 70% dos usuários de crack e cocaína pararam com essas drogas depois de usar maconha e todos, em seguida, abandonaram a cannabis. Seria o chamado efeito trampolim ao contrário. "É um novo recurso terapêutico. Não é nenhum sacrilégio se colocar uma droga para sair de outra, mais pesada. Nos países desenvolvidos, como a França, isso já é comum", afirma Silveira.
O uso medicinal da erva é conhecido há milênios. O primeiro registro na história foi encontrado num livro chinês de farmacologia, de 2730 a.C. Era prescrita como remédio eficaz contra "debilidade feminina, reumatismo e apatia e também para cicatrizar feridas, infecções na pele e problemas no sistema nervoso". As sementes, em infusão, eram usadas para combater vermes. O óleo era indicado contra caspa e o suco das folhas aplicado contra picadas de aranhas e escorpiões. No século passado, a Europa adotou alguns efeitos terapêuticos da erva e ela passou a fazer parte da farmacologia inglesa. Com a ilegalidade, entretanto, o uso medicinal ficou esquecido, só vindo a ser recuperado em 1960. Hoje, medicamentos à base de THC são usados em alguns países para amenizar náuseas e vômitos de pacientes com câncer submetidos à quimioterapia. "Também ajudam a diminuir esses sintomas em pacientes com Aids, além de melhorar seu apetite", afirma Elisaldo Carlini. Nos casos de glaucoma (problema de pressão alta nos olhos que pode acarretar em perda da visão), um colírio à base de THC é capaz de controlar o problema. O debate gerado pela censura ao trabalho dos médicos canadenses deve levar a OMS a aprofundar os estudos em torno da maconha. Mas já se pode extrair uma conclusão. Os trabalhos preliminares e a experiência médica têm revelado que é possível obter benefícios farmacológicos de uma droga que, até há bem pouco tempo, era vista exclusivamente como um problema social ou de polícia.

Colaboraram: Rachel Mello (DF), Francisco Alves Filho e Paulo César Teixeira (RJ), Bruno Weis, Ivan Padilla, Luísa Alcalde, Luiza Villaméa, Marta Góes, Norton Godoy, Roberto Comodo, Patrícia Andrade e Rita Moraes (SP)

FONTE: http://www.terra.com.br/istoe/ciencia/148238.chtm

ás 9:40 AM

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 Quarta-feira, Abril 20, 2005

Desde ontem a Igreja Católica Apostólica Romana tem um novo Papa. Trata-se de Bento XVI, nome adotado pelo alemão Joseph Ratzinger, um dos braços direitos de João Paulo II e um cara totalmente ¿joselito-sem-noção¿. Vamos conferir algumas de suas pérolas:

Outras igrejas
"A Igreja Católica é a mãe de todas as igrejas cristãs. Por isso, outras igrejas não devem ser consideradas 'irmãs' da Igreja Católica."
*E daí né?

Clonagem
"Um homem produzido por outros homens no laboratório deixa de ser um presente de Deus, da natureza. Assim como ele pode ser fabricado, ele pode ser destruído."
"A clonagem humana é mais perigosa que as armas de destruição em massa."
*Parece discurso do Bush. Nossa que medo!

Aborto
"Os cristãos devem ser contra decisões judiciais e leis que autorizem o aborto e a eutanásia, considerados pecados graves."
*Ema, ema, ema...

Homossexuais
"A igreja classifica os casamentos homossexuais como imorais, artificiais e nocivos."
*E os padres chabiscleides que existem na Igreja?

Superstição
"Rituais que dependem da superstição e outros erros constituem um obstáculo para a salvação."
*E dizer que o Conclave é inspirado pelo Espirito Santo não tem problema nenhum. Então quando saia a fumaça preta era porque o Espirito estava em dúvidas?

Rock
"O rock é uma expressão básica das paixões que, em grandes platéias, pode assumir características de culto ou até de adoração, contrários ao cristianismo."
*As visitas de João Paulo II no Brasil então não assumiram essas características? Ah, to louco!

Pedofilia na Igreja
"Estou convencido que as notícias freqüentes sobre padres católicos pecadores [pedófilos] fazem parte de uma campanha planejada para prejudicar a Igreja Católica."
*Sem comentários.

Feminismo
"Algumas formas de feminismo tornam as mulheres adversárias dos homens. O enfraquecimento da definição da identidade sexual tornou o homossexualismo e heterossexualismo praticamente equivalentes."
*Parece que ele conhece bem as mulheres hein!

Eutanásia
"Um católico será considerado culpado por cooperar com o mal, e não poderá receber a comunhão, se votar em um candidato político porque ele é a favor da eutanásia e/ou do aborto."
*E o Cristo veio para quem não tem pecado?

Divórcio
"O ato de comungar apenas porque o católico vai à missa é um abuso e precisa ser corrigido. Muitas vezes, o responsável pela comunhão deve se recusar a dar a hóstia para algumas pessoas --entre elas, aquelas que foram excomungadas e as que insistem em cometer pecados graves."
*Alguma vez Cristo se recusou de salvar algum pecador arrependido? I don't think so!

ás 9:19 AM

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 Segunda-feira, Abril 11, 2005

Cowboys. Os garotos vaca.
Muitos confundem o termo cowboy com peão.Porém vale a pena fazer algumas considerações. É correto afirmar que o peão nacional está para o cowboy americano, assim como o música sertaneja de raiz está para o country. Mas existem os cowboys brasileiros que são aqueles que nunca viveram no campo ou tiveram contato com gados, ao contrário dos verdadeiros peões. São no máximo filhos de donos de fazendas e olha lá.
A palavra cowboy obviamente vem do inglês: cow = vaca e boy = garoto. Portanto temos a tradução literal para o português sendo como Garoto Vaca.
Uma características dos garotos-vaca são:
*As roupas: Calça da Wrangler, meião pra dar volume, Chapéu, Bota de Ubirajara, camisa xadrez e fivela tipo frigideira.
*Sotaque: puxam bastante o "R" mesmo sendo cariocas ou morando em São Paulo capital.
*Meio de locomoção: camionetes e picapes apesar de só usarem a caçamba pra colocarem seus modernos sistemas de som.
*Adesivos:com os dizeres "Cowboy forever", "Rodeo Ride", "Rodeo or die", "Texas Rodeo Company", "Western way of life"
*Locais Sagrado: Barretos e Houston Texas.
*Hábitos alimentares: churrasco e cerveja.
*Mania: passar em frente de universidades com o volume máximo ao som de "quem tem cú tem medo" do Teodoro e Sampaio.

ás 4:34 PM

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 Sexta-feira, Abril 08, 2005

Série:
Desvendando a Festa do Peão e seus personagens.

Os locutores.
Sou da paz. Nunca concordei com a violência. Não seria capaz de matar uma mosca.
Mas se existe algo nesse mundo que me tira do sério e que me faz pensar em usar a força é a locução de rodeio.
Não sou fã de rodeios, não gosto "do que dizem ser" musica sertaneja e não assisto América.
De tudo isso o pior são as locuções, sem sombra de dúvidas.
De onde vem tanto fôlego para esses locutores gritarem tanto, inspiração para fazer rimas tão toscas e falar tão rápido a ponto de ninguém entender?
Os defensores dos animais batem tanto na tecla de que os touros e cavalos são induzidos por atos físicos violentos a pularem mais durante o rodeio, mas nunca pensaram na violência psicológica que estes são tratados. Se eu fosse um e tivesse que ouvir locuções durante muito tempo certamente eu pularia o mais alto possível... só que de raiva ou tentando escapar daquela tortura.
"da moreeena eu quero um beeijoooo, da loooira eu quero um goooole, da japoneeesa eu quero um saquê e da albiiiina uma Maria-mole, segura peão!"

no próximo vamos conhecer quem realmente são os Cowboys!

ás 10:37 AM

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 Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005

Belíssima reflexão do Colunista da Folha dessa quinta-feira. Faço as palavras dele as minhas. Paz!

CONTARDO CALLIGARIS

Moralistas imorais
Uma queixa banal e barulhenta repete que a modernidade vai para a perdição. Aliás, parece que já foi: sumiram os valores que orientavam nossos pais ou, no mínimo, nosso avós. Dizem que ficamos como baratas tontas, sem rumo e sem critérios para distinguir o bem e o mal.
Pois bem, penso o contrário. A modernidade é uma época profundamente moral, de uma maneira inédita pela forma e pela intensidade.
A novidade é que valores e princípios não são respeitáveis por sua origem. Se foi Deus quem disse ou foram os anciões que nos legaram, tanto faz: de qualquer forma, isso não basta. Cada um de nós, em seu foro íntimo, tem a responsabilidade de decidir o que é certo e o que é errado. Tarefa difícil: visto que recusamos a autoridade (divina ou tradicional) das normas, nosso julgamento é sempre concreto. Claro, adotamos princípios gerais, que são os mesmos de sempre; mas, para nós, a moralidade de um ato só pode ser decidida examinando sua complexidade efetiva.
Por exemplo, "não roubar" é um bom princípio. No entanto, como fica se alguém rouba do narcotráfico para financiar um hospital? Roubar a mercadoria de uma loja por um irresistível impulso neurótico é diferente de roubar a mesma para revendê-la na esquina, não é? Ou ainda, ser deputado e extraviar dinheiro público é menos ou mais grave do que assaltar cidadãos no farol?
Não é suficiente verificar se um ato é ou não conforme à regra instituída, ainda devemos perguntar: "O sujeito desse ato, na infindável complexidade de suas motivações e do contexto, agiu justamente ou não?".
Ora, não há como julgar os outros (suas intricadas motivações e reações) sem aceitar que eles são meus semelhantes e sem, de alguma forma, identificar-me com eles por um instante. Para julgar, preciso entender os outros e, para entendê-los, preciso me conhecer o suficiente para encontrar em mim mesmo todos (ou quase) os traços da diversidade humana.
É reconhecendo em mim os desejos (reprimidos ou não) de matar, roubar, fornicar etc. que ganho a capacidade e a autoridade para avaliar as condutas de quem, eventualmente, reprime esses mesmos desejos menos do que eu.
O interesse pela psicologia, desde a franqueza exacerbada de Montaigne até a psicanálise, passando pela introspecção romântica, é uma condição cultural necessária da moralidade moderna. Quem não investiga e não reconhece sua própria complexidade não pode avaliar a complexidade das motivações de seus semelhantes.
Claro, a especificidade da moralidade moderna atrapalha qualquer atitude normativa, a começar pela administração da Justiça: para os modernos, julgar é difícil e condenar é penoso. Pois mesmo o criminoso hediondo ganha, para nós, figura humana. E, bem aquém do hediondo, como jogar pedras na adúltera? E na mãe que não quer que sua filha de 12 anos tenha um filho?
A forma da moralidade moderna não é o veredicto, mas a pergunta. Para nós, é moral quem passa constantemente pelos impasses insolúveis de questões morais concretas. E é propriamente imoral o moralista, que declara saber de antemão o que é o bem e o que é o mal.
O moralista é imoral porque, julgando o próximo segundo um sistema de regras instituídas, ele evita o rigor da exigência moral moderna. Castigar os outros é, para ele, o melhor jeito de desconhecer seus desejos menos confessáveis. Ou seja, o moralista condena para se absolver.
E há mais: o moralista escolhe a dedo os princípios que ele reconhece e quer impor ao mundo. Como ele supõe que o funcionamento da moral seja igual ao dos códigos penais, ele presume que seja permitido tudo o que não é proibido pelas normas que ele escolheu. Com isso, a preocupação moral do moralista é seletiva.
Por exemplo, ele pode censurar e condenar a interrupção de gravidez, os métodos anticoncepcionais, o uso de células-tronco para pesquisa, a pornografia e a libertinagem e, ao mesmo tempo, assinar cheques sem fundo ou legislar em causa própria para ordenar aumentos descabidos de seu salário. Afinal, seu decálogo não diz nada explicitamente sobre malversar os bens públicos, e um cheque sem fundo não é bem roubar...
Condenando para se absolver e selecionando princípios de maneira a inocentar seus atos piores, o moralista moderno é o verdadeiro sepulcro caiado que indignava o Cristo.
Qual é a fonte de seu sucesso? Por que ocupa os púlpitos das igrejas e os corredores do poder, de Washington a Brasília?
Num mundo atormentado pela dificuldade da questão moral, o moralista nos apresenta nossa atribulada perplexidade como se não fosse uma conquista de nossa cultura, mas um sinal de fraqueza, de crise, de decadência. Logo, ele promete alívio e nos sugere o caminho da nostalgia: voltem para a antiga moral normativa, julgar será tão fácil... A troco do descanso que lhes ofereço, só deixem um dízimo na saída, ok?
Assim os (autodenominados) campeões da norma moral ganham um respeito que não merecem.
Essas reflexões são inspiradas pela eleição de Severino Cavalcanti à presidência da Câmera dos Deputados.



ás 9:56 AM

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 Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005

Me desculpem mas a ressaca de ontem deve ter influenciado nos neurônios responsáveis pela consciência política. Tô me sentindo meio Arnaldo Jabor hoje, então lá vai:
E O SALÁRIO Ó!
Não é de hoje que a credibilidade depositada nos políticos pela maioria da população não é das melhores. Muito pelo contrário. É desde os tempos da colonização do nosso país que as pessoas que estão à frente da população, sejam ditadores ou democraticamente eleitos, não dão muitos exemplos de vontade em governar pela justiça e pelas pessoas menos favorecidas. E isso faz com que o povo se sinta traído e desacreditado de que esses engravatados possam resolver os inúmeros problemas do nosso país. Até que vivemos um período de euforia por parte dos especialistas, mas algumas atitudes insistem em nos por pra baixo e desejar que alguns tipos de políticos morram literalmente e queimem no inferno.
Se há algo em nosso país que se equipara ao primeiro mundo é o valor dos impostos cobrados, porém as semelhanças acabam por aqui, pois os benefícios trazidos por eles nunca chegam a quem realmente precisa. E parece que aos políticos o imposto nunca está caro demais, ou seja, sempre é possível aumentá-los um pouquinho. Você já conhece a Medida provisória (lê-se permanente) nº232 que aumenta os impostos? E um tal de Severino Cavalcanti você já ouvir falar?
"O novo presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), eleito com uma plataforma que tratava do aumento dos salários e das verbas de gabinete, confirmou hoje que vai equiparar o salário dos deputados --hoje em R$ 12,8 mil --ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de R$ 17,5 mil, podendo chegar a R$ 21,5 mil caso um projeto de lei que aumenta o teto seja aprovado na Casa. "Eu já prometi. Quem promete tem que pagar", afirmou Cavalcanti."
Agora eu pergunto: De onde está saindo o dinheiro desse aumento?
Do bolso do Severino não é, porque afinal quem promete tem que pagar, mas nesse caso ele paga com o dinheiro do povo. Isso pra mim, desculpe me a linguagem, mas é ter um orgasmo com o órgão sexual alheio.

"Foi bom pra você meu rei? Meu dedo é pequeno mas olha o tamanho da cabeça"

ás 4:35 PM

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 Quinta-feira, Janeiro 27, 2005

E finalmente meu time ganhou no Campenato Paulista. 1 a 0 no Sorocaba.
Estive no jogo contra o Marilia Atlético Clube e tudo que posso falar é que é melhor esquecer esse jogo e mirar na taça de campeão. Perdemos por 1 a 0, com o time sem estrelas.
Afinal, corintiano que se preze tem que sofrer um pouquinho.
Parafraseando o José Simão: nóis sofre mais nóis goza!
Timão ê ôôô!

ás 9:57 AM

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